Miss Sarajevo

CONTEXTUALIZAÇÃO:

O texto a seguir é sobre a música Miss Sarajevo do U2. A música fala sobre um concurso de miss que aconteceu em Sarajevo em plena guerra (Guerra da Bósnia) na década de 90. Os autores da música utilizaram como base para a letra o texto de Eclesiastes 3 que fala que há tempo para tudo.

MISS SARAJEVO – U2 E LUCIANO PAVAROTTI
por Roberta Canjerana

“Para tudo há uma ocasião certa; há um tempo certo para cada propósito debaixo do céu.” [Eclesiastes 3:1].

Se Deus fez tudo apropriado ao seu tempo, como então compreender inteiramente o que fez? Como compreender o fardo imposto aos homens? Será que este fardo é sobremodo pesado?

O tempo tornou-se “senhor” da realidade, representando as relações entre o indivíduo e o lugar, um processo dinâmico que “conversa” que interage em vários aspectos. O tempo comprimiu-se, o espaço também, as distâncias relativizaram-se, as barreiras foram suavizadas, neste sentido, as pequenas ou nem tão pequenas diferenças que representam dois espaços, dois lugares, duas cidades, ou qualquer outro aspecto, tornaram-se agora significativas.

Vivemos a busca pela interpretação, sobretudo a interpretação desses significados, significados que se remodelam, reconstituem-se, reformulam-se com a ação do tempo. Dando abertura para as crises, os choques, as manifestações extremadas, em que nacionalismos, fundamentalismos, xenofobias, preconceitos, são ressuscitados e lutas sem fim são travadas em nome da preservação de identidades.

Por outro lado, a defesa da preservação de identidades rígidas, muitas vezes colide com valores tidos como universais e estabelecidos. A diversidade que o mundo apresenta hoje, as múltiplas identidades, estas em processo constante de construção trouxeram as parcialidades, as diferenças, resultado de um novo ciclo de expansão, mas não apenas como modo de produção, mas como processo civilizatório, abrangendo a totalidade do planeta de forma complexa e contraditória.

Como entender então os diversos fenômenos sociais que se dão em um espaço determinado, estruturados pelo contexto circundante, pelo meio, pelo lugar? Sabendo-se que é no lugar onde se materializam as categorias sociais? Questionamentos tornam-se mais profundos, a incerteza se opõe às certezas, teorias se enfraquecem, a relatividade se impõe. “A potência destruidora do homem se multiplica: explosivos mais potentes, metralhadoras, canhões, aviões, submarinos, holocausto, bomba atômica sacodem profundamente as consciências. É o tempo do novo, da modernidade e com ela os totalitarismos, os regimes monstruosos dotando os governos de poder de destruição, eliminando pessoas, subvertendo ordens.” ( Claval, 1995)

A novidade é que se parou de acreditar que as trajetórias das sociedades convergem para um estado de felicidade. A era da industrialização trouxe crescimentos e grandes avanços para a sociedade, a busca pelo capital passou a ser a meta do homem. Foram várias as conquistas, mas muitos os fracassos, desigualdades, desrespeitos, degradações, violências. Violências vestidas de várias formas. A “roupa” do terrorismo se mostra no contexto mundial, movidos por fundamentos religiosos, por posse de territórios, enfim, apesar de ideais diferentes, todos trazem seus grupos, composto por indivíduos violentos, impondo suas armas contra a ordem estabelecida.

Se recorrermos à história, veremos que a violência sempre esteve presente na vida das pessoas em diferentes sociedades. O mundo vivenciou a I e II guerra mundial e muitas outras que deixaram marcas impossíveis de serem esquecidas. Milhões de pessoas exterminadas, cidades destruídas, em função de comportamentos racistas e violentos, nos quais as minorias não tinham vez. Muitas vezes as situações de violência são desencadeadas por atitudes consideradas inofensivas; observamos que a violência não se faz presente apenas em atos físicos que, na maior parte das vezes, resultam em crimes, mas está oculta em muitos comportamentos, nas palavras, no subconsciente.

Certamente estamos diante de um novo contexto, de uma nova ordem intrínseca na desordem, contemplamos avanços seguidos por retrocessos, da união movida pela fragmentação, reordenando os territórios, fazendo e refazendo identidades.

O homem dotado de tão grande conhecimento, de racionalidade se vê preso na teia que ele mesmo teceu, as crises, as guerras constantes, são fruto das crises dos indivíduos, do fardo que o homem não consegue carregar, da busca incessante por poder; individualidade, egoísmo, vaidade. Isto reflete a verdadeira face do homem, sobretudo a sua fragilidade, sua impotência e sua arrogância. Preso ao tempo o “homem torna-se semelhante aos animais, porque o destino dos homens e dos animais se choca; assim como morre um também morre o outro, todos tem o mesmo fôlego de vida, o homem não tem vantagem alguma sobre os animais. Nada faz sentido! Tudo é vaidade!” (Eclesiastes 3:9)


Roberta Canjerana é geógrafa,
ministra de louvor e adoradora por excelência.
Também é professora da EBD e condutora dos Estudos Bíblicos da Marcha.

About these ads

Sobre Marcha Mocidade

Juventude da Igreja Batista Missionária Internacional. Ver todos os artigos de Marcha Mocidade

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: